28 de maio de 2014

Rio Grande do Norte lidera crescimento em número de homicídios

Tribuna do Norte
Os números da violência colocam o Rio Grande do Norte em duas preocupantes posições no Mapa da Violência 2014 divulgado ontem, dia 27, pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso). O Estado teve o maior percentual de crescimento nos casos de homicídios entre os anos de 2002 e 2012: o aumento  no número de assassinatos foi de 272%. No mesmo período, a variação na  taxa de homicídios por cada grupo de cem mil habitantes foi a maior do país – 229,1%.
Emanuel AmaralRN tem hoje uma taxa de 34,7 assassinatos por 100 mil habitantesRN tem hoje uma taxa de 34,7 assassinatos por 100 mil habitantes

Os dados da Flacso fazem parte de uma prévia do Mapa. O estudo completo será divulgado até o fim de junho. As informações apresentadas até o momento revelam como os homicídios catapultaram no intervalo de uma década. O Rio Grande do Norte saltou dez posições no ranking que analisa o número de homicídios e compara com o quantitativo populacional de cada Estado.

Em 2002, o RN registrou 10,6 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. Naquele ano, a taxa era a terceira menor do país, ficando atrás somente de Santa Catarina (10,3) e Maranhão (9,9). Dez anos depois, em 2012, a mesma taxa mais que triplicou e chegou a 34,7. Com o aumento, o Rio Grande do Norte saiu da terceira e ocupa hoje a 13ª posição no ranking.

Percentualmente, o crescimento foi de 229,1%. O maior do Brasil. O aumento registrado em território potiguar é bem maior que a média nacional – 2,1% – e a média na região Nordeste – 73,5%. Se analisados os números absolutos, o RN também registra dados alarmantes. Em 2002, foram contabilizados 301 homicídios. Dez anos depois, foram anotados 1.121 assassinatos. Aumento de 272,4%. No Nordeste, o aumento foi de 91,5% e, no Brasil, o crescimento atingiu o percentual de 13,4%.

Os dados do Mapa da Violência 2014 da Flacso foram obtidos através de pesquisas no Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde (MS). Os dados de população utilizados para o cálculo das taxas foram obtidos das estimativas do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus). No Brasil, o maior número proporcional de homicídios ocorre em Alagoas, onde há 64,6 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. Em Santa Catarina, por outro lado, são 12,8 homicídios para cada 100 mil pessoas que residem no Estado. A menor taxa registrada em 2012.

Na contramão do crescimento do número de homicídios do Rio Grande do Norte, Pernambuco foi o Estado do Nordeste com maior diminuição percentual nos crimes. Em 10 anos, levando-se em conta os números absolutos, os pernambucanos registraram uma redução de 25,2% no número de crimes desse tipo. Em 2002, foram 4.431 assassinaos e, dez depois, o número caiu para 3.313.

Ainda levando em conta os números absolutos, no país, a menor diminuição ocorreu em São Paulo que, de 2002 para 2012, reduziu em 56,4% o número de homicídios. Há doze anos, os paulistas contaram 14.494 assassinatos. No fim da década em análise, o número declinou para 6.314.

A reportagem tentou contato com o atual titular da secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed), Eliéser Girão Monteiro Filho, para repercutir o estudo. No entanto, até o fechamento desta edição, a assessoria de imprensa do órgão não havia dado retorno à solicitação.

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